Paulista de nascimento, o fotógrafo David Protti veio morar no estado ainda nos anos 80 para ser professor de fotografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Admirado com a beleza de Vitória, resolveu pôr a câmera nas mãos e saiu a documentar as paisagens naturais e urbanas da capital, com a intenção de despertar moradores e turistas para a identidade da capital, assim como para seus encantos.

Proporcionando uma visão mais ampla do cenário para o leitor, o fotógrafo usa nas imagens o formato panorâmico, mais alongado que o convencional. Com ângulos inéditos, a coleção de fotos panorâmicas revela a baía, os morros e os mangues que constituem o patrimônio verde da cidade. .Entre os pontos registrados, o Morro da Fonte Grande e a Praia de Camburi. Protti também passeia pela modernização da cidade: praças, avenidas e portos ganham um novo olhar quando entranhados no verde e no vai-e-vem das pessoas, como assim acontece nas fotos da Praça Costa Pereira. É quase uma documentação visual do que a cidade oferece de histórico, desconhecido e, às vezes, inóspito.

De acordo com o fotógrafo, o objetivo é acender a reflexão sobre nossa afetividade com as cidades. “Elas são organismos vivos, crescem e se modificam o tempo todo. Isso mexe com as paisagens, que contêm referências geográficas e históricas – não só do lugar, como também das pessoas, com suas referências afetivas e simbólicas”, afirma. “Mas essas memórias estão se perdendo, já que todo mundo está fixado no celular, andando com muita pressa, sem olhar mais para esses espaços”, acrescenta.