A série Brisa do Mar, da fotógrafa cearense Renata Vale, nos leva ao campo do impressionismo na fotografia contemporânea. Essa relação fotografia/pintura remonta aos primórdios da mídia fotográfica no século XIX quando pintores Impressionistas como Monet capturaram em suas telas retratos de pessoas ordinárias em atividades quotidianas, influenciados pela desierarquização dos motivos artísticos pela fotografia, literatura naturalista, entre outros.

Feitas no litoral paulista e também em sua terra natal, as fotos de Vale captam o espírito do estar à beira mar, esse local sujeito as intempéries da luz onde céu, terra e água se encontram como uma tela em movimento, um balé dos elementos. A série apresenta as diversas paletas de dias transcorridos nesse cenário extremamente sensorial.

Vale capta com sua lente a variedade de tons e matizes que servem de cenário para atividades esparsas, familiares e oníricas ao mesmo tempo. Cada imagem evoca o estado de espírito de um momento tão efêmero e sutil quanto a brisa e a própria fotografia. Juntas, elas formam um caleidoscópio que apresenta a figura humana como um coadjuvante diminuto. Nesse grande palco natural, o humano retorna à sua forma mais básica e natural.

Renata, que é natural de Fortaleza e mora em São Paulo desde 2011, é formada pela escola Panamericana de Artes e é apaixonada pelo mar e suas nuances. “O mar faz parte da minha essência. O movimento das águas, o vento no rosto, a paleta de cores de um fim de tarde, tudo isso sempre me encantou e procurei trazer isso para o meu trabalho”, conta a fotógrafa.