Exposição Virtual Cativeiro – Fotografias de Jo-Anne McArthur.

Entre os dias 29/3 e 2/4, a Mosaico Fotogaleria será o espaço de uma ocupação virtual com fotografias da fotojornalista canadense Jo-Anne McArthur (@weanimals) em locais de cativeiro de animais como zoológicos e aquários.

As fotos fazem parte de uma série compilada no livro Captive: the Book (Lantern Books, Junho 2017), onde McArthur, através de mais de 100 fotos, nos convida a refletir sobre como nos vemos, ou deixamos de nos ver, através das barras, fosso, ou do outro lado de uma barreira de vidro. A maioria das fotos do livro foram feitas em 2016, enquanto Jo-Anne McArthur trabalhou com a Born Free Foundation (@bornfreefoundation) no projeto EU Zoo Inquiry, que examinou as condições de zoológicos e aquários na União Europeia. Jo-Anne visitou dezenas de instalações em nove países. Essas imagens sublinham os problemas de se manter animais em cativeiro.

A ocupação é uma iniciativa da Mosaico com seu curador Lobo Pasolini e A ONG We Animals.

GALERIA 1

“As fotografias em Captive [livro de onde as fotos da exposição CATIVEIRO foram selecionadas] nos permitem ver a solidão e desespero que os animais suportam em cativeiro. Porém, elas nos permitem ver mais. Elas nos movem para além de nós mesmos para que tenhamos uma noção melhor da relação complicada que estabelecemos com esses animais.

Quando nós enxergamos todas as formas que animais conscientes são prejudicados em cativeiro, nós deveríamos ser inspirados a melhorar tais relações. Diante do número de animais mantidos em cativeiro em zoológicos e aquários, existe uma necessidade ética de se criar e implementar mudança para melhorar seu bem-estar e dar a eles oportunidades de ser quem eles são e ir atrás daquilo que lhes interessa. Nós devemos a esses animais nossa atenção e também remediação.

Como seres éticos, quando nós olhamos as fotografias que Jo-Anne (@weanimals) compartilhou, através da bravura do seu testemunho, nós podemos visualizar o que esses animais perderam. Através de atos reflexivos de atenção ética, nós podemos começar a pensar como reparar o mal que os humanos têm causado ao manter outros animais em cativeiro.”

(Trecho do ensaio introdutório escrito pela filósofa Lori Gruen para o livro de fotos Captive)

Legendas:

1. Baleia beluga, Canadá, 2011

2. Jaguar, França, 2016

3. Leão, Alemanha, 2016

4. Raposa-vermelha, Lituânia, 2016

5. Foca cinza do Báltico, Lituânia, 2016

6. Cegonha branca, Dinamarca. 2016

7. Girafa reticulada, Dinamarca, 2015

8. Escorpião e aranha, Dinamarca, 2016

9. Girafa, Alemanha, 2016

10. Urso marrom, Dinamarca, 2016

GALERIA 2

“Depois de anos documentando animais cativos, eu vi muitos vivendo sem estímulo ou inadequadamente. Eles existem sem escolha: em pisos de concreto, próximo a paredes de concreto, subjugados a nós. Às vezes, os animais em cativeiros estão tristes demais para se mover.

Meu objetivo, como sempre, é difícil: conseguir que as pessoas olhem e não desviem o olhar. Afinal de contas, encarar essa crueldade é confrontar nossa própria cumplicidade com essa crueldade. E, como a crueldade com animais que nós vemos, nosso envolvimento é algo doloroso de suportar.” — Jo-Anne McArthur (@weanimals)

(Trecho de Captive)

Legendas:

1. Orca, Canadá, 2011

2. Orangotangos, Tailândia, 2008

3. Pinguim-de-humboldt, Tailândia, 2008

4. Macaca sínica, Alemanha, 2016

5. Rinoceronte, Alemanha, 2016

6. Tigre branco, França, 2016

7. Gorila-ocidental-das-terras-baixas, Polônia, 2012

8. Flamingos americanos e ganso-de-peito-vermelho, Canadá, 2008

9. Golfinho nariz-de-garrafa, Lituânia, 2016

10. Leão, Lituânia, 2016

GALERIA 3

“Os zoológicos que eu visitei e mostrei em Captive [de onde as fotos da exposição CATIVEIRO foram selecionadas] não são inúmeros ou inevitáveis; eles são construções humanas para prazeres humanos que pertencem a uma era quando nós sabíamos pouco ou nada, ou pouco nos importávamos, com as vidas privadas de outras espécies. À medida que o campo da etologia (a observação de animais em seus habitats naturais) continua a ganhar espaço no discurso científico sobre senciência e bem-estar, será inevitáveis que escolhas compassivas sejam as únicas alternativas para avançar.

Minha esperança é que essas imagens sirvam como uma perspectiva alternativa e sóbria de onde realmente ver estes animais. Na minha opinião, essa versão de sua realidade construída e confinada deve ser desmascarada se nós realmente nos importamos com eles tanto quanto dizemos. Nós devemos lançar um olhar fresco e crítico se quisermos mudar a ideia antiquada de que zoológico é sobre o conforto e diversão de nossa experiência ao custo do desespero e tédio na vida de tantos animais. Se quiser superar nosso incômodo inicial, e nosso ressentimento com o incômodo, por sermos expostos ao mal feito contra outros, nós poderemos finalmente reconhecer e aceitar nossa cumplicidade. E aí a mudança acontece.

Disso eu tenho certeza: lugares de exploração, dominação e objetificação não tem lugar em uma sociedade iluminada. Eles podem se tornar santuários, centros de animais silvestres e lugares de conservação compassiva. Chegou a hora de sermos corajosos e construir uma relação entre nós animais e aqueles animais baseada em respeito e cuidado. Chegou a hora de evoluir e deixar o cativeiro para trás.” — Jo-Anne McArthur (@weanimals)

Legendas:

1. Golfinho nariz-de-garrafa, EUA, 2013

2. Sapo-macaco, Alemanha, 2016

3. Macaco-aranha, Alemanha, 2016

4. Urso Marrom, Alemanha, 2016

5. Macaco-berbere, Alemanha, 2016

6. Uso polar, Dinamarca, 2016

7. Orangotango, Dinamarca, 2016

8. Leão, Croácia, 2016

9. Chimpanzé, Croácia, 2016

10. Zebra, Letônia, 2016

GALERIA 4

Em 2016, Jo-Anne McArthur (@weanimals) trabalhou com a Born Free Foundation (@bornfreefoundation) no projeto EU Zoo Inquiry, que examinou as condições atuais de zoológicos e aquários na União Europeia. Jo-Anne visitou dezenas de instalações em nove países. Essas imagens sublinham os problemas de se manter animais em cativeiro e compõem a maioria das imagens vistas em seu livro, Captive (Lantern Books, June 2017).

“Eu observo Gina enquanto ela anda em círculos em uma área isolada. De vez em quando ela estica sua tromba sobre a parede cinza para alcançar pedaços de comida que as pessoas jogam para ela. Seu recinto é cercado por grama verde, plantas e árvores mas seu recinto é vazio. Eu conheço muitos profissionais de zoológicos que têm grande afeto pelos animais e odeiam vê-los transferidos para outras áreas. No entanto, apesar do conhecimento e boas intenções, isso não é amor e esse é o resultado: fazer todos cúmplices deste negócio. Cada dia que Gina passa presa em um zoológico é uma decisão contra o seu bem-estar e a favor de sua solidão. Os dias se tornam meses e anos. Eu espero que as fotografias que eu levo comigo revelem alguns aspectos das existências de privação de indivíduos como Gina, e influenciem a corte da opinião pública.” — Jo-Anne McArthur (@weanimals)

?: Gina, uma elefanta asiática, solitária de cinquenta anos de idade, em um recinto sem sombra, anda em círculos. França, 2016.

Jo-Anne McArthur/We Animals Media + Born Free Foundation